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Feijão Tropeiro de Minas ganha destaque mundial

Nascido nas trilhas de burro e estradas de carro de boi, o feijão tropeiro é agora prato reconhecido internacioanlmente.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 08/01/2026 07:07
Feijão Tropeiro de Minas ganha destaque mundial
Quando nasceu, o feijão tropeiro tinha apenas feijão, toicinho salgado, e carne seca. O acompanhamento era farinha de mandioca, alguma mistura da beira da estrada. E agora?
Feijão Tropeiro, prato típico de Minas, acaba de ganhar reconhecimento internacional. Disputando com centenas de pratos do mundo inteiro, saiu na frente, com os pratos sopa de pedra (Portugal), malai kofta (Índia), parmigiana e parmigiana alla napoletana (Itália). Veja aqui a página da TasteAtlas.

Em Bom Despacho, o melhor feijão-tropeiro, com os melhores acompanhamentos, você encontra no Mirante do Pica-Pau. Isto, você já está cansado de saber. Mas, você conhece a história deste prato? Vou contar. Mas, antes, vamos ver como os estrangeiros descreveram nosso prato:

This is a typical dish from the state of Minas Gerais in Brazil, often associated with the tropeiros (cattle herders) who traveled across the country. It's a hearty, flavorful dish made with beans, cassava flour (farinha), sausage, bacon, eggs, and various seasonings.

Isto, traduzido, vira: Este é um prato típico do estado de Minas Gerais, no Brasil, frequentemente associado aos tropeiros que percorriam o país. É um prato substancioso e saboroso, feito com feijão, farinha de mandioca, linguiça, toicinho defumado, ovos e diversos temperos.)

História

Pelos sertões de Minas, tudo era transportado em lombo de burros. Subindo serras, descendo serras, lá iam eles, burros e tropeiros, levando mercadorias da cidade e trazendo ouro, diamante, e o mais valioso de tudo, os afamados queijos das Gerais. Para enfrentar esta labuta diária, eles precisavam de uma comida substanciosa, fácil de preparar, e que não se estragasse com o passar dos dias. Para isto, a combinação era perfeita: feijão em grão, farinha de mandioca, sal, linguiça, temperos secos.

Se calhasse de passarem por alguma fazenda, ovos cozidos e couve refogada eram bem-vindos.

Muito antes do sol nascer, o cozinheiro da comitiva se punha na estrada. Ele seguia na frente, duas três horas. Chegando no lugar certo, catava lenha, montava seu fogãozinho improvisado, montava seu caldeirão e colocava o feijão para cozinhar. Enquanto cozinhava, ele prepara os demais ingredientes: a linguiça, o toicinho, o ovo e a couve (se tivesse).

Quando os tropeiros o alcançavam, quatro, cinco horas depois, a comida estava pronta e fumegante. Era só apear, dar água e descanso à tropa, e sentar-se no chão para apreciar o delicioso feijão-tropeiro.

Uma cachacinha para abrir o apetite ia sempre bem. Depois de se refestelarem, os tropeiros tomavam um cafezinho e pitavam um palheiro.

No Mirante, é só chegar e servir-se

No Mirante do Pica Pau, você fica dispensado de acordar cedo e tocar a tropa. Quando chega lá, a mesa está posta, e o tropeiro está pronto. Pode pedir a cachaça, que é da boa. Mas, se preferir, tem cerveja gelada, uísque e até água e refrigerante. Tem café também.

O pito, este eu não recomendo. Nem lá, nem em lugar nenhum. Ficou fora de moda e mineiro que é mineiro, não pita mais.

Mas, no Mirante, você pode acrescentar um churrasquinho feito na hora, muitas verduras, e tantão de coisas.

Se ocê tiver minino encapetado, não se preocupe não. Lá tem brinquedo prês ti dar sucego.

O Mirante do Pica-Pau fica ali mês, pertinho, no quilom quatro e meio da Estrada do Pica-Pau. Pertim da puliça rodoviária federá. Ocê já gostava desse trem. Imagina agora, que é famoso no mundo todo. Coisa chique nos úrtimo.

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