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Nas redes sociais vemos pessoas negando que o Brasil tenha tido uma desinflação em 2025. A primeira coisa que se nota em quem diz isto, é que a pessoa não sabe o que é inflação. Ora, sem saber o que é inflação, e como ela é medida, não há como saber o que está acontecendo. Então, vamos começar pelo começo: uma definição simples de inflação.
Cesta de produtos
Cesta é uma lista contendo os produtos cujos preços serão coletados periodicamente. Por exemplo, arroz, feijão, macarrão, carne, passagem de ônibus, passagem aérea, medicamentos.
Para representar melhor a inflação de cada setor da população, ou da economia, são criadas cestas diferentes. Cada uma delas representa um índice.
Índices de inflação
Podemos ter cestas diferentes para representar a alteração de preços em setores diferentes. Por exemplo, na construção civil, nos aluguéis. Podemos, também, analisar como os preços afetam os mais ricos, os mais pobres, ou ambos. No Brasil, os índices mais usados são estes ao lado.
Por exemplo, o IPCA (Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo), é a inflação oficial do Brasil. É usado, entre muitas coisas, para avaliar a inflação para famílias que recebem de 1 a 40 salários mínimos por mês.
Já o INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor), avalia a inflação para famílias com renda mensal entre 1 e 5 salários mínimos.
O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) é o resultado de uma combinação de custos. É muito usado para corrigir contratos, como os contratos de aluguel.
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) é usado para medir a variação do custo da construção civil.
Por aí já se vê que não há uma inflação; há várias. Cada cesta mede a inflação de um jeito. Por exemplo, em 2025, a inflação medida pelo IGP-M foi negativa (diminuiu 1,05%), mas o IPCA foi positivo (aumento de 4,3% – ainda sujeito a revisão). Já o INCC cresceu mais ainda, pois deve fechar o ano em 6,18%.
Portanto, quando se fala em inflação, sem esclarecer qual o índice usado, deve se entender que é o IPCA.
Inflação é o aumento da cesta, não de um produto
Os índices mostram que a inflação não é um indicador universal, mas sim, setorial. Ele é medido pela variação dos preços de todos os produtos da cesta. Por isto mesmo, é possível que um produto aumente muito, mas a inflação continue baixa.
Um exemplo muito simplificado. Digamos que a cesta tenha apenas dois produtos: arroz e feijão. Em janeiro, o arroz custava R$ 10,00 o pacote e o feijão, R$ 20,00. Em dezembro, o pacote de arroz subiu para R$ 20,00, mas o pacote de feijão caiu para R$ 10.00. Embora o arroz tenha dobrado de preço, a inflação foi zero.
Isto acontece porque, em dezembro, a família compra um pacote de arroz e um pacote de feijão por R$ 30,00 – o mesmo preço que pagou em janeiro. Ora, se a família não teve aumento de despesa com alimentação, para ela não houve inflação. Mas, se olharmos só preço do feijão, pode parecer que a inflação foi alta, quando, na verdade, foi zero.
Desinflação
Desinflação é quando a inflação desacelera. É isto que está acontecendo no Brasil. Por exemplo, em 2021 o IPCA foi de 10,06%, mas em 2025 deve fechar em 4,3%. Isto é desinflação.
Deflação
Se Inflação é o aumento geral de preços, deflação é o contrário: é a queda geral de preços. Tudo começa a ficar mais barato do que era antes.
À primeira vista, isto pode parece uma coisa boa, mas não é. Quando todos os preços começam a cair, é sinal de que a economia está se estagnando. Com a deflação vem o desemprego, a queda do PIB, uma piora geral para todos.
Queremos inflação, deflação ou desinflação?
O que devemos quer é uma inflação moderada. O que é moderado varia conforme a época e o lugar, mas, digamos, entre 1% e 4% é uma inflamação moderada. Ela não rouba dinheiro dos pobres, permite que a economia cresça e haja aumento de empregos e de salários.
A deflação empobrece todos. A Inflação alta enriquece os ricos e empobrece os pobres. A desinflação, quando está a caminho de uma inflação moderada, é um sinal positivo para o país.
Brasil no caminho certo
Com inflação moderada, o Brasil está no caminho certo. A economia está crescendo (PIB), o desemprego está caindo, a massa salarial do trabalhador está aumentando.
Podemos torcer para que o Banco Central afrouxe um pouco a taxa de juros e para que a economia mundial não sofra tanto com as incertezas que Trump está impondo ao mercado internacional.
O certo é que, ao que tudo indica, 2026 será o melhor ano dos últimos dez.